Sobre ouvir todos a cantar

Texto enviado na falecida newsletter em 29/09/2017

Eu tava me programando para escrever sobre síndrome do impostor, um assunto que tá sempre rolando por aí e que é sempre bom abordar (até porque volta e meia rola dessa síndrome nos pegar, a gente tentar escapar e não conseguir, nas grades do meu coração etc). Porém, tinha um musical no meio do caminho e eu preciso falar (mais ainda) sobre a história que eu mais amo no mundo.

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Se a gente já conversou por mais de 5 minutos (e mesmo se a gente nunca conversou), você provavelmente já me viu falando sobre Os Miseráveis. Seja em caps e threads exageradas no twitter, ou com os olhos brilhando ao vivo (porque aparentemente é real oficial que meus olhos brilham quando falo disso), é fácil perceber que eu amo muito, muito, muito essa história. Les Mis é e sempre vai ser o meu musical favorito, eu adoro as músicas e sofro sempre, mas talvez isso aconteça justamente pela minha admiração pelo trabalho do Victor Hugo.

Eu super entendo quando as pessoas não sabem responder qual o seu livro favorito. A gente lê tanta coisa no decorrer da nossa vida que é bem difícil escolher entre todas as histórias que nos tocaram, né? Apesar de entender como deve ser isso, eu particularmente nunca preciso pensar muito antes de responder “Os Miseráveis” quando me fazem essa pergunta.

Eu já falei aqui como aprendi a amar os livros e falei um pouco sobre minha relação com esse em especial. Eu li pela primeira vez aquela versão adaptada do Walcyr Carrasco e eu ainda lembro de tudo que senti enquanto conhecia essa história e essas personagens. Mais tarde, lá pelos meus 18 anos, meu irmão me deu a edição integral de presente e meu amor só aumentou quando eu peguei aquele tijolão para ler.

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Eu sou bem dramática e digo mesmo que eu não seria a pessoa que sou hoje se não tivesse lido esse livro. Eu aprendi muito sobre quem eu sou e quem eu quero ser nas páginas de Os Miseráveis. Cada um dos personagens desse livro me ensinou alguma coisa que eu trago comigo até hoje. Eu quero conseguir oferecer a mesma bondade que o Jean Valjean. Quero acreditar em algo tão intensamente quanto o Enjolras acredita na República (ou o Grantaire, no Enjolras, rs).  Eu quero sentir metade do amor que a Fantine sentia pela Cosette. Tem um pedacinho desses personagens em mim e eu cresci um pouco mais com cada um deles. Eu inclusive me lembro que meu interesse por política começou a surgir junto com o do Marius, quando ele ia procurando saber mais sobre Napoleão e as tretas políticas da França.

Essa semana o sentimento por Os Miseráveis foi despertado pela montagem brasileira do musical (que eu assisti mais uma vez nessa quarta-feira). Depois de passar umas horas impactantes assistindo aquilo, eu cheguei em casa e fiquei deitada no sofá ouvindo o concerto de 25 anos e a cada música vinha aquele aperto no coração e uma vontade de chorar. Disso surgiu uma conversa com uma amiga que começou a ler o livro e eu decidi reler junto com ela.

Eu ainda tô bem no comecinho, foram só umas 60 páginas lidas, e mesmo assim a cada palavra que eu vou absorvendo, eu vou sentindo meu coração bem quentinho e cheio de amor por essa obra, exatamente como foram das outras vezes. É por essas e outras que eu sei que não vou (e nem quero) superar Os Miseráveis.

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gif de raminnjolras

E o que dizer do homem que criou isso tudo? Victor Hugo é meu autor favorito e sempre que eu pego para ler algo que ele escreveu fico só o gif do macaquinho surpreso, chocada com o talento desse homem e com o quanto meu encanto por ele é ainda maior do que eu achei que fosse.

Nessa minha releitura eu já fiquei horas falando comigo mesma sobre o quanto o V.H. é de uma sensibilidade incrível. Ele sabe como criar seus personagens, como fazer você senti-los reais. Ele sabia exatamente o poder da história que estava contando e escolheu as melhores formas de fazer isso. O melhor narrador, o melhor ponto de vista, as melhores digressões (que podem parecer muito longas e inúteis, mas são todas geniais). Além de tudo sua consciência política e social fica bastante palpável ao passo que vamos lendo (esse e quaisquer outros de seus trabalhos). V.H. nunca perde a chance de expor os seus próprios ideais em Os Miseráveis, abordando a condição da mulher na sociedade de sua época (e nem tão diferente assim de hoje) ou o seu posicionamento sobre a pena de morte. Ele escolheu a melhor forma de mostrar seus posicionamentos: contando uma das histórias mais lindas já contada e criando personagens que nos tocam até hoje.

Eu li outros trabalhos do Victor Hugo e sou apaixonada por todos eles. Nenhum mexeu tanto comigo como Os Miseráveis, verdade, mas o seu poder com as palavras tá presente em cada uma de suas obras, então vale muito a pena conhecer (principalmente O Último Dia de Um Condenado, que é bem curtinho e o meu segundo favorito do autor).

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E esses são apenas alguns dos motivos pelos quais eu considero Os Miseráveis o meu livro favorito (para não ser exagerada e dizer que essa é a maior obra já escrita pelo ser humano, rs). Eu admiro muito o quanto essa história sempre nos acrescenta algo positivo. Aprendemos mais sobre nosso papel social e político, sentimos mais empatia pelo próximo (ou, pelo menos, depois de ler mais de mil páginas sobre isso, deveríamos) e terminamos a leitura nos sentindo ainda mais humanos. Eu vou fazer a professora de literatura e dizer: “é isso o que significa ser um clássico”.

Isso ficou bem maior do que eu tinha planejado e mesmo assim eu ainda tô com a sensação de que não consegui dizer tudo o que queria sobre essa história. Porém, eu sempre tenho essa sensação quando tô falando sobre Os Miseráveis, eu nunca consigo explicar totalmente o quanto amo e o quanto esse livro é importante. Por via das dúvidas, se a mensagem não ficou muito clara: VAI LER ESSE LIVRO PFVR NUNCA TE PEDI NADA!

(…) enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis. 

Pra terminar, por absolutamente motivo nenhum, fiquem com esse gif do OTP:

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gif de shoujo-eponine

Aquele finalzinho das indicações (dessa vez só sobre Os Miseráveis, porque me faltam LIMITES):

♦ Toma um vídeo com trechos da montagem brasileira de 2017 que foi MARAVILHOSA!
♦ E por falar em chorar, vou deixar um link para vocês ouvirem Ramin Karimloo (homão) cantando Bring Him Home, porque eu amo muito e choro sempre. SEMPRE. Se eu escutar 6 vezes seguidas, são 6 vezes chorando. Testado e comprovado.
♦ Toma um vídeo da Vevs (a pessoa mais apaixonada por Les Mis e Victor Hugo que você respeita. Amém, Vevs) falando sobre a revolta de 1832 para vocês não matarem filhotinhos por aí.
♦ Vocês sabiam que tem um anime baseado em Os Miseráveis? Pois é, o nome é Shoujo Cosette, é muito fofo, Jean Vajean não tem boca e o Gavroche tem um cachorro gigante. Aqui a abertura gracinha.
♦ Aqui tem um vídeo de uma montagem australiana do musical em 1998 com os Amigos do ABC (melhor boyband) fazendo uma paródia de Bohemian Rapsody. Afinal, por que não?

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