Sobre o Bingo de Literatura Negra

Logo mais chega novembro e com ele o Dia da Consciência Negra, uma importante data em que lembramos e celebramos a resistência e as lutas dos nossos irmãos. É sempre muito legal ver a movimentação que acontece em diversas frentes durante esse mês. Esse é o momento perfeito para dedicar suas leituras para autores negros e obras sobre pessoas negras. Então, que tal aproveitar o novembro negro para participar de um bingo literário com esse propósito?

Em maio, nos EUA, é comemorado o mês da herança asiática-americana e dos habitantes das ilhas pacíficas, um mês em que as culturas desses grupos são celebradas. E foi nesse contexto que Shenwei e o grupo Lit CelebrAsian criaram o Asian Lit Bingo (Bingo de Literatura Asiática), tentando fomentar mais a busca por leituras de autores asiáticos e das ilhas pacíficas (que são alvos de um grande apagamento).

O bingo traz uma cartelinha com categorias e você precisa procurar leituras dentro delas para poder completar o desafio, sendo que todos os livros precisam ser de autores asiáticos e com protagonistas asiáticos. Eu participei do Asian Lit Bingo no primeiro ano e achei incrível! Alguns dos livros que li para o bingo, eu provavelmente nem teria conhecido se não tivesse participando do projeto, e acho que é justamente esse o propósito, fazer com que mais pessoas leiam e conheçam autores marginalizados que muitas vezes são ignorados.

O que não saiu da minha cabeça desde então, foi pensar o quanto seria incrível ter um bingo assim sobre literatura negra. Um projeto de leitura que pudesse dar a oportunidade de pessoas lerem mais autores negros e buscarem histórias novas, dos mais diferentes gêneros e temas. Sei que, pessoalmente, eu adoraria ler autores negros que ainda não li e conhecer um outro tanto.

Bem, inspirada pelo Asian Lit Bingo e animada com todos esses benefícios,  hoje eu apresento para vocês o #BingoLitNegra!

cartela
Cartela em planilha: bit.ly/cartelabingolitnegra

O Bingo de Literatura Negra vai ser um projeto de leitura para o mês de novembro, melhor época para focar suas leituras nas obras de autores negros. Com 24 categorias diferentes – apresentando gêneros, personagens e temáticas diversas – e um espaço livre, no #BingoLitNegra você deve escolher uma linha, coluna ou diagonal da cartela e procurar livros para ler que contemplem as categorias apresentadas nos cinco quadrados desse espaço por você selecionado, sendo que todas as obras precisam ser escritas por autores negros E serem sobre pessoas negras. Sim, não é escrita ou protagonizada, são os dois. A ideia do bingo é celebrar não só narrativas sobre pessoas negras, mas também dar espaço na sua estante para as vozes de autores negros, que são ainda bastante escassas e esquecidas dentro do mercado literário.

Exatamente como um bingo comum (aqueles que rolam com ótimos tupperwares de prêmio), no #BingoLitNegra você vence quando completa uma linha, coluna ou diagonal. Aqui você não ganha tupperware (sinto muito, estou triste também), mas você termina o mês de novembro com 5 ótimas leituras de livros de autores negros que com certeza vão enriquecer ainda mais sua vida. Melhor que tupperware, vai?

Só pra deixar mais claro, aqui está um exemplo das possibilidades que você pode escolher na hora de ver quais quadrados apresentam 5 opções que te interessem (mas, é claro, se você quiser fazer mais do que um, ou até mesmo tentar fechar a cartela, VAI FUNDO! Super apoio!):

cartela ex

Algumas categorias foram inspiradas no Asian Lit Bingo, outras eu adaptei e criei pensando no que seria mais interessante e fácil de achar para ler em português (não que você seja obrigado a ler apenas livros em português, eu mesma vou ler alguns em inglês, mas queria que todas as categorias tivessem opções de livros nacionais ou traduzidos para ser mais inclusivo). E, claro, ainda tem o espaço livre, em que você pode ler qualquer livro desde que ele siga a regra básica de ser escrito por e sobre negros. Achei que no final as escolhas das categorias foram justas, e também pretendo fazer um post em breve com indicações de alguns livros para quem precisar de uma ajudinha na preparação para o bingo.

Se interessou e quer participar? ENTÃO COMEÇA A SE ORGANIZAR DESDE JÁ! O desafio é só para daqui a um mês, mas se já tiver suas leituras todas separadas, mais fácil vai ser de você bingar! Escolhe quais categorias você pretende usar para completar sua linha, coluna ou diagonal, pensando em quais livros você acha que dá conta de ler durante o mês de novembro. Marque sua cartelinha com xiz, emojis, gifs, fotos da capa dos livros, ou até mesmo com o clássico feijão (como eu fiz no Asian Lit Bingo que participei hahaha), o que achar melhor! O importante mesmo é participar. E use sempre a hashtag #BingoLitNegra quando for falar sobre nas suas redes sociais, seja para indicar livros (inclusive: autores negros, se indiquem!), comentar sobre suas leituras ou conversar com quem mais tiver participando. Eu pretendo comentar sobre meus avanços no bingo aqui mesmo no blog, além de no twitter (@solaine) e no instagram (@solainechioro).

Vamos juntos encher nosso novembro de autores negros e suas histórias?

 

 

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5 comentários em “Sobre o Bingo de Literatura Negra

  1. Caren Domingues de Carvalho 24 de outubro de 2018 — 15:20

    Nossa não conhecia esse projeto. Vou participar e incluir no projeto de leitura que faço parte. Parabéns.

  2. Desafio maravilhoso! Vou me organizar e coletar livros para fazê-lo. Indico Meio Sol Amarelo da Chimamanda Ngozi, que se encaixa em várias categorias e vale a pena ser lido. Feras de Lugar Nenhum, Uzodinma Iweala, livro juvenil, jovem-adulto.

  3. Nara Lasevicius Carreira 25 de outubro de 2018 — 1:17

    Iniciativa maravilhosa!

    Montei uma listinha baseada nas categorias, caso alguém se interesse 🙂

    Livro de memória ou biografia: Esse cabelo (Djaimilia Pereira de Almeida), Mamãe e eu (Maya Angelou)

    Livro clássico: O mundo se despedaça (Chinua Achebe)

    Livro africano: Tempo de migrar para o norte (Tayeb Salih), Orgia dos loucos (Ungulani Ba Ka Khosa)

    Poesia: Amargo como os frutos (Ana Paula Tavares), Um buraco com meu nome (Jarid Arraes), qvasi (Edimilson de Almeida Pereira)

    Livro nacional: Úrsula (Maria Firmina dos Reis), Quarto de despejo (Carolina de Jesus)

    Releitura de uma história clássica: Mata teu pai (Grace Passô)

    História em quadrinhos: Angola Janga (Marcelo D’Salete)

    Fantasia ou ficção científica: Kindred (Octávia Butler)

    Livro publicado neste ano: O sol na cabeça (Geovani Martins), Minha casa é onde estou (Igiaba Scego)

    Livro premiado: Amada (Toni Morrison), O caminho de casa (Yaa Gyasi)

    Ficção histórica: Um defeito de cor (Ana Maria Gonçalves), Underground Railroad (Colson Whitehead), Meio sol amarelo (Chimamanda Adichie)

    Contos, crônica ou novela: Olhos d’água (Conceição Evaristo), Reza de mãe (Allan da Rosa)

    Espaço livre (Peça de teatro): Tenho medo de monólogo (Cuti)

    Não ficção: Mulheres, raça e classe (Angela Davis), O que é lugar de fala? (Djamila Ribeiro), Ensinando a transgredir (bell hooks)

    Livro africano de língua portuguesa: Os transparentes (Ondjaki), As andorinhas (Paulina Chiziane)

    Livro contemporâneo: Precisamos de novos nomes (NoViolet Buwayo), A mulher dos pés descalços (Scholastique Mukassonga)

    Protagonista LGBTQ: A cor púrpura (Alice Walker), “Beijo na face” (Conceição Evaristo)

    Livro juvenil ou jovem adulto: O caçador cibernético da rua treze (Fábio Kabral)

    História com um romance: Americanah (Chimamanda Adichie), Uma escuridão bonita (Ondjaki)

    Protagonista mulher: Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo), Hibisco roxo (Chimamanda Adichie), Eu sei por que o pássaro canta na gaiola (Maya Angelou), Clara dos Anjos (Lima Barreto)

    Autora mulher: A mulher dos pés descalços (Scholastique Mukassonga), Sobreviventes (Cidinha da Silva), O crime do cais do Valongo (Eliana Alves Cruz)

    Livro infantil: O mundo no Black Power de Tayó (Kiusam de Oliveira), Amoras (Emicida)

    Livro independente: O pau do Brasil (Wilson Alves Bezerra), As lendas de Dandara (Jarid Arraes)

    Livro adaptado como filme ou série: In moonlight black boys look blue (Tarell Alvin McCraney)

    Suspense, Thriller ou mistério: Assim na terra como embaixo da terra (Ana Paula Maia)

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